segunda-feira, 13/05/2019
Mariana Sousa Leite e
Bárbara Figueiredo, investigadoras da Unidade de Investigação de
Desenvolvimento e Psicopatologia do Centro de Investigação em Psicologia
(CIPsi), Escola de Psicologia, Universidade do Minho, juntamente com Anne ter
Keurst (Rijnstate Hospital, Arnhem, Holanda), Jacky Boivin e Sofia Gameiro (School
of Psychology, Cardiff University, Reino Unido), publicam na revista Patient Education and Counseling, um
artigo intitulado “Women's attitudes and
beliefs about using fertility preservation to prevent age-related fertility
decline - a two-year follow-up”.
A
preservação da fertilidade (PF) é uma técnica de reprodução medicamente assistida,
que permite, às mulheres que pretendem adiar a maternidade, a possibilidade de ter
filhos biológicos mais tarde, numa idade em que a sua capacidade reprodutiva se
encontra diminuída. O período ótimo sugerido para a realização da PF, de forma
a maximizar a sua taxa de sucesso, é entre os 25 e os 35 anos. No entanto, as
mulheres estão a realizar a PF, em média, aos 38 anos, o que compromete a
consecução dos seus objetivos. Deste modo, importa compreender como é
que o processo de tomada de decisão relativamente à PF se desenvolve ao longo
do tempo, de forma a aconselhar adequadamente as mulheres sobre se e quando a realizar.
Em 2014 foi realizado um estudo transversal,
utilizando um questionário online, com
o objetivo de identificar os fatores associados às intenções das mulheres em realizar
a PF. O presente estudo é um follow-up,
que pretendeu averiguar como o processo de tomada decisão relativamente à
realização da PF se alterava ao longo do tempo, dois anos após a resposta ao
questionário acima mencionado. Recorreu-se à amostra inicial de 214 mulheres, entre
os 28 e os 35 anos de idade, sem filhos, mas com desejo de ter e que não estivessem
a tentar engravidar ou efetivamente grávidas, que consentiram ser contactadas
no futuro, sendo que 115 mulheres (53.74%) completaram novamente o
questionário. A maioria das mulheres (n = 81, 77%) permaneceu no primeiro
estádio (pré-contemplação) e apenas 14% tomou uma decisão em relação à PF, a qual
foi de não realizar. Ao longo do tempo, as participantes demonstraram maior
conhecimento sobre a fertilidade, mas pouco conhecimento sobre aspetos
fundamentais e básicos da PF. Na procura de informação, a maioria das mulheres acedeu
a fontes gerais (e.g., google) e apenas
3% discutiu com o seu médico de família a possibilidade de realizar a PF. As intenções
das mulheres para realizar a PF no futuro revelaram-se baixas e permaneceram estáveis
ao longo do tempo. Estas intenções revelaram-se relacionadas com a tomada de decisão,
dado que as mulheres com menos intenções para realizar a PF se mostraram mais
propensas a tomar uma decisão após os dois anos e decidir não realizar.
Em suma, as mulheres que apresentam um elevado desejo de serem mães e se
encontram no intervalo ótimo para realizar a PF (28-35 anos), não se envolvem
no processo de tomada decisão para a sua realização, a qual permanece uma possível
opção para o futuro. Assim sendo, sugere-se facilitar o acesso das mulheres à informação
clara e correta sobre a PF, o que poderá ser feito pelo seu médico de família
ou ginecologista aquando discutidas as suas opções reprodutivas. Esta
informação deverá ser providenciada numa idade em que as mulheres possam
maximizar o potencial de sucesso da técnica e especialmente quando consideram
adiar a maternidade, de forma o proporcionar o seu envolvimento ativo no
processo de tomada de decisão e garantir que possam atingir os seus objetivos reprodutivos.
Referência: Sousa-Leite, M., Figueiredo,
B., ter Keurst, A., Boivin, J., & Gameiro, S. (2019). Women's attitudes and beliefs about using fertility preservation to
prevent age-related fertility decline - a two-year follow-up. Patient Education and Counseling. doi: 10.1016/j.pec.2019.03.019
Bárbara Figueiredo
Escola de Psicologia
Campus de Gualtar - Braga
e-mailbbfi@psi.uminho.pt